Prana, respiração e a mente

«Uma das extraordinárias comprovações da foto Kirlian é que o campo energético colorido da aura se torna mais reluzente quando os pulmões se enchem de oxigénio puro – ou seja, a respiração profunda gera e abastece essa energia prânica. Há milhares de anos, os iogues compreenderam que existe uma forte relação entre a energia vital e a respiração, pois absorvemos esse prana provedor de vida não só dos alimentos ingeridos, mas especialmente do ar que respiramos.

Todo o ser vivo depende da respiração, e quando a respiração cessa, cessa a vida. Desde o primeiro choro de uma criança até o último suspiro do moribundo, o que temos é uma série contínua de respirações. Gastamos, constantemente, nossa força vital ou energia prânica em cada pensamento, em cada ato ou desejo, em cada movimento dos músculos. Em consquência, um abastecimento constanteé necessária, o que só se consegue através da respiração.

Dessa forma, os iogues enfatizaram a respiração correcta e desenvolveram exercícios específicos chamados pránáyama (controle da respiração) para maximizar a quantidade de energia vital absorvida em cada respiração. Na respiração normal, extraímos muito pouco prana da atmosfera. Porém, quando nos concentramos e regulamos conscientemente nossa respiração, tornamo-nos capazes de estocar grandes quantidades de prana nos vários centros nervosos ou cakras. As pessoas que praticam respiração sistemática e profunda podem sentir o forte efeito vitalizador do prana, na medida em que cada parte do corpo se torna impregnada de energia vital. Com o decorrer do tempo, o corpo inteiro fica sob controle, e todos os males são eliminados na sua origem. Além disso, esse poderoso vitalizador prânico gera saúde e energia também para as pessoas ao redor, porque o prana é conduzido para outros corpos, da mesma forma que a água flui de um nível mais alto para outro mais baixo.

O correto controle da respiração pode prevenir muitas doenças que afligem a humanidade nos dias atuais – doenças cardíacas, pressão alta ou baixa, asma e tuberculose, dentre outras. Um método de parto natural cada vez mais popular hoje em dia é o método La Maze, que ensina as mulheres grávidas a fazerem exercícios de respiração profunda similares à respiração iogue, para aliviar as dores do parto. O controle respiratório dissipa as tensões emocionais e relaxa a mente, aumentando a força de vontade, a concentração e o autocontrole. E, o mais importante, acelera o desenvolvimento espiritual, ao prover extraordinária força interior, que pode ser utilizada para elevar a mente e desenvolver consciência.

A Respiração e a Mente

O pensamento surge e se desenvolve de acordo com a respiração. Quando alguém pensa profundamente, sua respiração fica lenta. Quando pensa rápido, a respiração alterna rapidamente. Quando um atque de ira abala a mente, a respiração se torna agitada; quando a alma está tranquila, assim também está a respiração. Agora, peça alguém para tentar o oposto, solicite-o para pensar profundamento enquanto respira rápido, e verificará que isso é impossível!”

Emmanuel Swendenborg

A mente tranquila contribui para uma respiração lenta, profunda e regular. A mente intranquila afeta o coração e o ritmo respiratório, que então se torna irregular e errático. Todos nós experimentamos isso quando estamos ofegantes ou com a respiração acelerada, devido a alguma emoção súbita.

A respiração pode se tornar acelerada e irregular mesmo em situações de ligeira tensão, como os momentos de espera por uma entrevista. A respiração rápida impede o desempenho normal das faculdades mentais. Por exemplo, logo após correr, um estudante não conseguirá resolver problemas de matemática; ele protestará: “Esperem até que eu recupere minha respiração”.

De acordo com a ciência iogue, isso se deve à ação do pranendiya – centro psíquico localizado no Anahata Cakra (cakra do coração). O pranendriya é pulsativo e flui em ondas de expansão e contração repetitivas. A energia sutil do corpo está em sintonia com o pranendriya e flui de acordo com o seu padrão. Quando o pranendriya está em estado de expansão ou aceleração, a energia sutil também flui de forma agitada; dificultando a percepção das vibrações externas (formas, cores, sons, luzes etc.) pelos nervos e pelo cérebro. Quando o pranendriya está em estado de repouso, o fluxo de energia é lento, tornando a mente tranquila e receptiva. Nesse estado, as vibrações externas são recebidas e registradas de forma translúcida na mente, como o reflexo de uma paisagem num lago límpido e tranquilo.

O pranendriya está intimamente relacionado com a respiração. De acordo com a ciência do Yoga, o ato de respirar se divide, na realidade, em quatro etapas: inalação (puráka), pausa inaladora (kumhaka), exalação (recaka) e pausa de exalação (sunyaka). Durante a inalação e a expiração, o pranendriya está em estado de movimento e expansão; durante a pausa, ele está em estado de contração ou repouso.

Quando a respiração torna-se rápida e irregular, o pranendriya permanece em atividade e as pausas são menores; como resultado a percepção fica pouco nítida e a mente, perturbada. Quando a respiração é lenta, profunda e regular, os períodos de pausa são mais longos, o pranendriya fica calmo, aumentando a percepção e a concentração. Num estado de concentração profunda, a respiração se torna cada vez mais lenta.

A medicina ocidental está começando a perceber a estreita relação entre o ritmo respiratório e os estados mentais. Experiências têm demonstrado que mudanças no ritmo respiratório correspondem não só a mudanças no ritmo do coração, como também a mudanças nos impulsos elétricos do cérebro, quando assimila estímulos externos. Mais ainda, os cientistas descobriram que a respiração tem também profunda relação com a atividade mental. Numa pesquisa realizada entre pessoas com elevado poder de concentração, um médico descobriu que o estado de concentração reduz acentuadamente o ritmo respiratório e acarreta maior resistência da pele – um rsultado que tem relação com a redução da ansiedade.

Dr. Peter Steincrohn descobriu que muitos de seus pacientes com ansiedade tinham respiração rápida e superficial. Ele denominou essa forma de respirar de “respiração superficial”. Muitas pessoas ansiosa têm “respiração superficial” e nem mesmo sabem disso. Inconscientemente, respiram de forma rápida e superficial quando estão nervosos, o que somente intensifica o seu nervosismo. Suspiram e bocejam com frequência. Reclamam: “Não consigo respirar bem. A respiração não é tão suficiente quanto era antes”.

“Ajudei muitos pacientes ansiosos, ensinando-os a respirar. A ansiedade e a respiração estão tão interligadas que, ao cuidar de uma, frequentemente, a outra melhora. Algumas dessas pessoas abandonaram os tranquilizantes, as pílulas para dormir e outros medicamentos sedativos depois de aprenderem a respirar corretamente.”

Em uma experiência, Dr Steincrohn descobriu que ele podia induzir estados de alta ansiedade e pânico, ao fazer com que seus pacientes respirassem rápida e superficialmente. Tão logo eles voltavam a respirar regularmente, os sintomas de medo e ansiedade desapareciam.

Há milhares de anos, os iogues desenvolveram a ciência do pranayama (controle da energia vital através da respiração) para regular a respiração, aumentar os períodos de pausa do pranendriya e, dessa forma, controlar, acalmar e relaxar a mente. Dessa maneira, sensações negativas e perturbadoras podem ser eliminadas da mente.

Essas técnicas avançadas são ensinadas por professores de Yoga da Ananda Marga, treinados nessa prática. Se essa prática avançada for feita incorretamente, poderá resultar em grandes danos para o corpo e a mente. O pranayama nunca deve ser praticado sem a orientação segura de um professor habilitado.»

excerto do livro “Yoga para a Saúde Integral” (versão brasileira)
Publicações Ananda Marga

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